OLIMPIA 2 X 0 ATLÉTICO MINEIRO: A BOLA FAZ TOCAR O SINO QUE CONVOCA A “MASSA” À “MISSA DO GALO”!
Primeira partida da Final – Estádio Defensores del Chaco – Assunção (Paraguai) – 17-07-2013
É comum no futebol dizermos que uma final de campeonato reúne sempre muitos ingredientes. No entanto, essa “dimensão gastronômica” do jogo se configura numa exótica e complexa reunião de elementos que, na maioria das vezes, se integram às receitas de maneira extremamente imprevisível…é também a incerteza do que vem à mesa que deixa tudo ainda mais palatável…
…é como se tudo começasse com a bola no bule…
…a trajetória do Atlético Mineiro nessa Libertadores é representativa de uma calorosa ebulição de sentimentos, de valores e de emoções muito particulares do esporte… no entanto, a diferença do Galo para os demais “chefs” está na apimentada relação com a sua torcida, numa mistura de temperos que realça o gosto e fortifica o gesto de amor…
…assim, ouvi de um atleticano que “se fosse fácil não seria para o Atlético”…então, pensei como o encontro de alvinegros nessa final de Libertadores se materializou, primeiro, num campo com a pompa de uma mesa de quitutes decorada com aquelas toalhas xadrezinhas da vovó…com esse apetite despertado, a leitura do jogo pode ser feita também pela alegria e alegoria de um tabuleiro de xadrez…essa interpretação me foi motivada pelos torcedores do Olímpia…eles formaram na arquibancada do estádio Defensores del Chaco um bonito mosaico que mostrava que, faminto, “o Rei quer a Taça”…
…diante, então, do cardápio de estratégias que envolve uma finalíssima desse porte, para atender ao pedido “real”, o time paraguaio fez um envolvente movimento de peças e colocou dois “Silvas” como dedicados “peões” dispostos a servir e a proteger a “alteza”…na defesa, o goleiro Martín Silva se encarregava de resguardar o trono…no ataque, Alejandro Silva foi o fiel e destemido escudeiro…ele avançou pelo território oponente para, aos 22 minutos do primeiro tempo, balançar as redes do adversário e fazer soar o toque imperial que anuncia a presença da “sua majestade”…
…frente a tantas combinações inesperadas, o gol de Pittoni, aos 48 do segundo tempo, numa traiçoeira cobrança de falta, pode ter ecoado, para os paraguaios, como um passo importante ao xeque-mate e à entrega da dádiva ao Rei…
…mas confesso que a aura nutritiva, romântica e religiosa que envolve os passos dos mineiros nessa competição me fizeram ver e interpretar o segundo gol do Olimpia de outra forma: nas redes defendidas por Victor, lá estava pendurado um sino…a bola o tocou para convocar a Massa à “Missa do Galo”…
…é em Belo Horizonte que o “Rei” vai saber que todas as peças atleticanas se transformam em “Bispos”…reunidos naquela deslumbrante celebração, eles emocionam as Américas e o mundo através do “cântico da glória”, que renova a nossa devoção ao futebol e à vida…
..Na semana da visita do Papa Francisco ao Brasil, o Atlético Mineiro e a sua torcida vão transformar o Mineirão em um grande cenário de rituais litúrgicos encantadores…parece algo combinado com os “deuses de fé do futebol”…
…é o desfecho épico, bíblico da fé que remove montanhas…o Céu envia ao Brasil e aos corações atleticanos a sua maior representação…e é na Taça da Libertadores que os alvinegros de Minas esperam beber o vinho da “eucaristia do futebol”… dessa forma, até a “majestade” pode se ajoelhar aos pés daquele “príncipe”, também conhecido como Ronaldinho Gaúcho, iluminado pela florida energia “episcopal” do “Planeta Horto” que, com certeza, vai ornamentar o Estádio Governador Magalhães Pinto…
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