NEWELL’S OLD BOYS 2 X 0 ATLÉTICO MINEIRO: O PEQUENO PRÍNCIPE, A PICADA DA SERPENTE E O RETORNO AO “PLANETA HORTO”
Semifinais – Estádio Marcelo Bielsa – Rosário Central (Argentina) – 03-07-2013
Alguma coisa me fez enxergar Ronaldinho Gaúcho jogando a primeira partida das semifinais da Libertadores com os cabelos loiros, uma roupa de “majestade” e uma singela espadinha nas mãos…tive esse “insight” muito por causa daquele gesto do craque na volta para o segundo tempo, por meio do qual ele uniu as mãos numa forte conversa com “algo acima de nós”…aquele movimento teve um significado curioso e surpreendente…
…pra começar, o cenário desse jogo em forma de “conto” era ainda mais ilustrativo e enfático de “dizeres”, em função dos “pés das traves” do estádio El Colosso del Parque, rebatizado com o nome do ídolo argentino Marcelo Bielsa,..eles são pintados com listras vermelhas e pretas, numa indicação clara de que o gol é o “buraco de cobra”, é a morada da “bola peçonhenta”…
…bom, é óbvio que para a “Massa” atleticana o uniforme do Galo, por si só, é uma “esplendorosa vestimenta Real”. E Ronaldinho, diante daquele território cheio de “perigos”, incorporou mesmo o papel de protagonista do “Pequeno Príncipe” alvinegro. O adorável “menino” em busca da “coroa real das Américas” sabia, de certa maneira, que diante do desfalque de Réver, “guardião da fortaleza”, e dos adversários vestidos e atuando como a “venenosa serpente coral”, o bote, a picada e a ferida seriam inevitáveis…
…assim, os jogadores do Newell’s Old Boys, naquele efervescente caldeirão, eram os homens que pareciam, desde a infância, ter desenhado e aprimorado as formas daquela “víbora” pronta para “engolir” até mesmo os “grandes” e “fortes”, como os “elefantes” da “fábula do futebol”…
…o gol de falta, então, marcado por Scocco, aos 35 do segundo tempo, foi muito representativo: a bola fez uma curva, como se estivesse velozmente “rastejando” num “zigue-zague aéreo”, e passou bem pertinho daquele “pé” colorido, que sinalizava o lugar do seu repouso, depois de mais um “ataque” que lhe deixara com a barriga e o ego “inchados”…o bravo goleiro Victor foi mais uma “presa” daquela “malévola bola” com aquele temido som de “chocalho”…como o talentoso Maxi Rodriguez já havia marcado aos 17, no placar 2 a 0…
…dessa maneira, a serpente picou também o “príncipe”…mas o que nem mesmo a equipe argentina sabe é que essa dupla “mordida” no “garoto” tem o sentido do “passaporte encantado” para a sua terra natal…
…naquele gesto, lá do intervalo, Ronaldinho “rogava” a sua “flor”…é lá, no “planeta Horto”, do tamanho e acolhedor como uma casa, que o “jovem majestoso” e seus súditos guardam a poderosa, adorada, e cheirosa “rosa alvinegra do campo”…suas pétalas têm o poder de transformar sonhos em realidade, jogos, jogadores e torcedores em “lendas imortais”…
…certamente, essa saborosa “composição literária do futebol” tem conotações ainda mais convidativas, que não podem ser entendidas apenas por uma única leitura…todos vamos poder “passar os olhos” mais uma vez por essas páginas do esporte…e o “Pequeno Príncipe” estará lá, com aquela “flor de bola” cultivada por toques sutis…até seus espinhos são doces…tão dóceis, que podem quebrar qualquer encanto considerado irreversível…tão mágicos, que podem deixar a “cobra” mansa, caidinha de amores pelo Galo forte e sempre vingador!
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