FLAMENGO 2 X 1 FLUMINENSE: “E DE REPENTE” AS NARRATIVAS DO FUTEBOL NOS EMOCIONAM DE NOVO

Conquistar um título invicto vencendo de virada um Fla-Flu, nos dez minutos finais, no mágico Maracanã repleto de apaixonados é algo que transcende, transborda os significados da taça…qualquer narrativa advinda deste clássico é sempre surpreendentemente mais épica, mais poética, mais romântica e mais dramática…
…O gol de cabeça do tricolor Henrique Dourado, logo aos 3 minutos, igualando o placar dos dois jogos, deu aquele “foi então” a uma sublime história que ainda nos reservava intensamente o proverbial “frio na barriga”…risos e choros eram provocados pela magnitude das expressões e ações dentro e fora das quatro linhas, que faziam “a escrita” do jogo ser, a cada segundo, marcada pelo “e de repente”…
…o que dizer de Paolo Guerrero, que parecia destroçado fisicamente, pelas partidas decisivas anteriores, nas quais assumiu definitivamente o protagonismo?…desta feita, será que lhe faltaria força?…”e de repente” o camisa 9 peruano, aos 39 da etapa derradeira, surge como uma silhueta de um herói, no meio da zaga do Flu, com atuação perfeita até então…o artilheiro do campeonato alcança o rebote do goleiro Cavalieri, depois da cabeçada de Réver, e, de “bate pronto”, empata a decisão, com uma energia, absolutamente romanesca e encantadora…
…”e de repente” se o árbitro tivesse anulado o gol por entender que houve falta de Réver sobre o zagueiro Henrique no início da jogada?…repentinamente, a narrativa poderia ter sido outra, questionam os tricolores…
…em meio à polêmica, desponta a estrela do lateral direito Rodinei, utilizado outra vez pelo técnico Zé Ricardo como “amuleto” avançado na zona de ataque…”e de repente”, ele arranca, no rito, como um mito cheio de raça, e é derrubado pelo arqueiro tricolor, que acaba expulso por ser o último homem da defesa…
…o empate já garantia o título ao Flamengo, mas, “de repente”, lá estava a brilhar novamente a “estrela cadente” Rodinei…aos 50, correu, mais uma vez, com a intensidade de uma partícula cósmica, como se estivesse com a camisa e a alma rubro-negra em chamas, e mandou para o gol, vencendo o jogador de linha improvisado na meta…
…”e de repente”, em meio a mais pura e inconteste emoção, o camisa 2 vai comemorar com a torcida e recebe o primeiro abraço do “Papai Noel” que, aquela altura, certamente já havia se declarado rubro-negro apaixonado, a ponto de pular do trenó, e cair no meio da galera, sem camisa e com os números que formavam os 34 títulos cariocas…
…ah, “e de repente”, lá estava também o anjo negro de asas brancas, presente em todos os jogos no Maracanã…um símbolo da paz, uma paráfrase da alegria enviada pelos Deuses da Bola…
…bom, e “de repente”, os torcedores rubro-negros se viram deixando o “Maraca” como a bateria que “deixa o recuo” na Sapucaí…de cada coração, ouvia-se o batuque de um ponto de exclamação!!…
…”e de repente”, esta mistura extraordinária de sentimentos que a arte do futebol nos proporciona…é como num repente…é a inspiração para o improviso, a emoção da surpresa, a sensação de que ainda teremos muitas rimas pela frente…
Imagem: http://www.imagensparawhats.com/
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