CARTA DA BOLA AO JOGADOR DO FLAMENGO ANDREAS PEREIRA

 Jovem Andreas Pereira,


Aqui é a bola do jogo, “quem” vos “toca”. É isso mesmo, tenho vida e sou redonda, como a Terra, e, como o mundo, dou muitas voltas…nunca tinha parado para perceber como cruzamos trajetórias que refletem os significados mais profundos das nossas existências, campeão? Estranhou te chamar de campeão, depois da perda do título da Libertadores da América, daquele jeito, não é? Olha, menino, não foi à toa que “fugi de você” naquele lance da origem do segundo gol do Palmeiras. Aliás, vou te revelar mais uma coisa, também imperceptível para muitas pessoas: cada passo no campo e cada toque que me dás são movimentos de crescimento, portanto, de aprendizados que transcendem o seu legítimo e fundamental choro de “derrota”.


Sou justa e sagaz, garoto…não “escapei” de ti por mal…você me tratas bem e o escolhi para mostrar ao mundo, mais uma vez, as difíceis e engrandecedoras lições da pedagogia do esporte. É, rapaz, os Deuses do Futebol existem sim…Nelson Rodrigues estava certo, o Sobrenatural de Almeida, é um baita professor, um dos nossos melhores…


Andreas, olha só, peça desculpas aos torcedores, chore, sofra com o “erro”…esta é uma parte medular na qual eu testo o seu porte, de atleta e de ser humano…o erro, camisa 18, é inerente…também reflete o seu esforço e é a forma como lida com o tal é que vai te fazer “errar melhor” da próxima vez…é este o “toque”, sacou?…a tenha sim como meta de gol, mas não idealize a perfeição, porque vai te trazer um choro de “trave fixa”…cara, as balisas do goleiro se mexem, nunca sentiu isso também? É tu quem está no comando, você também pode traçar as linhas e as regras do verdadeiro e bom jogo de goleadas da vida “muleque” bom de bola…sei que é o sistema e não eu, a bola, que “pune”, muitas vezes, mas, quando estivermos ali, juntinhos, não tenha medo do meu “imprevisível” e nem do esforço do outro para me “roubar” de ti…poxa, são tantas as circunstâncias e as pressões para buscar sempre a tal da “jogada brilhante” o “gol de placa” ou o “troféu de trufas”…mas não tem que ser assim a todo instante…olha como eu sou leve e cheia de ares renovados…murcho tem hora também carinha e engana-se quem pensa que é a bomba mecânica de ar que me faz rolar de novo…sou oxigenada pelos desafios…


…então, entendi ser ali, naquela faixa da “lousa verde”, naquele segundo do “até breve” que lhe dei, com o “peso” sim da história da camisa rubro-negra, que receberias uma grande glória…o campeão, meu aprendiz, se faz pelo exemplo que dá aos outros sobre o esforço…não simplesmente o gesto de levantar a Taça…por isso, Andreas Pereira, tem gente que nunca ganhou uma, mas é um “herói” tanto quanto…os jogadores do Palmeiras estavam ali para reforçarem em você as dimensões de uma luta não por um objeto, como muitos apenas me enxergam, mas por um símbolo das “rodas” e das “rodadas” da vida em todas as suas mais complexas e duras realidades…errou, perdeu, doeu, seguiu…aplaude a conquista palmeirense e me reencontre na próxima “partida”…agora, sabes melhor que posso percorrer cada lugar do seu corpo, até o seu inconsciente, e lhe “pregar peças”, sou muleca do bem…sabes agora, como nunca, meu bamba de bola, como, juntos, a gente pode dar os nossos “passes de letra” e de luta pelos gramados ou pelas terras batidas, cheias de obstáculos, dessa vida massa demais!




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