BOTAFOGO 2 X 2 FLAMENGO: OS ÁLBUNS DE FAMÍLIAS NO ESTÁDIO MÁRIO HELÊNIO

Foto: Benito Madalena
Estádio Municipal Radialista Mário Helênio – Juiz de Fora – 02-04-2016
É incrível como os filhos transformam e renovam as nossas relações com o futebol: “pai, eu entrei com o Paulo Victor!”, dizia o garoto de 6 anos, com o brilho da bola nos olhos…os dois saltitavam em direção à arquibancada como inseparáveis amigos de infância…na outra família, o coleguinha, da mesma idade, também todo vestido de Flamengo se rende ao talento do arqueiro adversário e solta, em voz alta, bem no meio daquela multidão de rubro-negros: “O Jefferson é muito bom!”…vixi, espontaneidade que desconcertou a mãe torcedora do Flamengo: “fica quieto menino” e confortou o pai que espera ver o filho, em breve, mudar de ideia e abraçar a Estrela Solitária…
…os gols do jogo certamente também alimentaram esses álbuns de família…o primeiro do Botafogo, logo aos 13, nasceu de um escanteio e de uma falha do goleiro Paulo Victor que não conseguiu defender a bola no alto e ela sobrou, límpida, para o zagueiro alvinegro, Carli, mandar para o barbante…imediatamente, o pai flamenguista pensou: “puxa, e o meu filho deu a mão para ele na entrada…essas luvas deveriam estar abençoadas!”…e a criança consola o marmanjo: “é assim mesmo, ele vai precisar treinar mais!”…
…Alan Patrick empatou, aos 32, com um golaço de fora de área…chute indefensável, “lá onde a coruja dorme filho!”, gritava o pai sacudindo o “muleque” pra tudo que era lado no ritmo da radiante comemoração…
…no segundo tempo, pênalti para o Botafogo, aos 10, e lá estava de novo o “paizaço” que não desistia daquele pensamento, ensinando o rapazinho a fazer figa: “olha filho, sua mãozinha tá ali, junto com a do Paulo Victor, ele vai defender”…e defendeu mesmo, só que a zaga cochilou e Lindoso aproveitou o rebote para colocar o time de General Severiano de novo em vantagem…
…já lá “pelas tantas”, outro papai emburrecido com o jogador mais lento, já com a disposição em baixa, aproveitou para reforçar lições ao menino: “tá vendo? Precisa de uma boa sopa de inhame…e com muita cenoura e carne!”…bom, mas quem “deu sopa”, dessa vez, foi a zaga do Botafogo que deixou o atacante da Gávea, Marcelo Cirino, subir de cabeça, sozinho, na frente do arqueiro e empatar a partida aos 36…de um lado, pai, mãe e a filha explodiam em alegria, mas com o coração dividido…é que o mais velho estava lá na outra arquibancada, em meio aos botafoguenses: “foi recente isso, ele resolveu mudar”, tentava me explicar aquele paizão essa “sofrida” familiar virada de camisa…
…nobres e sagradas histórias do futebol…pais e filhos dormiram, sonharam e acordaram refeitos e repletos ao ponto de, no café da manhã, ainda sobrar essa: “aqui, eu quero que troca esse técnico do Mengão! O que você acha?” indagou o jovem ao pai…ihhh, marcação pesada…a conversa de domingo vai render…obrigado mais uma vez futebol!…
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