A VIRADA POÉTICA NA COPA ZICO E O RECOMEÇO DE NOVAS LIÇÕES DO ESPORTE

 



A participação dos bicampeões na edição de final de ano da Copa Zico começou de maneira poética e pedagógica…a virada sobre o bom time dos garotos do bairro Barreira do Triunfo, o “Geração do Futuro”, foi, portanto, cheia de lances que mostram como o campo é um espaço de rimas e, ao mesmo tempo, das muitas lições que definem os rumos das nossas vidas…

…o que dizer do gol de empate do jovem talentoso João Ricardo Nogueira…a bola definitivamente procura mesmo o craque…os Deuses do futebol sempre souberam disso e, aos poucos, vão fazendo a gente entender melhor essa métrica matrimonial…ela cruzou a área adversária e passou pelos zagueiros acenando com um charme particularíssimo, até encontrar os pés do adorado camisa 6…foi um voleio de uma elegância francesa, a la “voilà”, “aqui” está o que me pedistes minha bela, coloque o seu véu e partimos pro abraço”, lhe diria o pequeno “ás” dos campos…1 a 1..
…mas era preciso mais…mais luta, mais esforço, mais garra, mais sentido de coletividade, mais grupo, mais das metáforas cotidianas dos bons vencedores…o 2 a 1 sofrido no início da segunda etapa não foi uma “ducha de água fria”, mas sim um prato cheio para alimentar a fome de gol, o apetite pela vitória através da superação…
…enquanto o arqueiro Davi Rangel mostrava-se um artístico baluarte das defesas quase impossíveis debaixo das traves, o seu companheiro até de nome, Davi Miranda, preparava-se para escrever os mais líricos versos de uma virada tão inesquecível como aquelas palavras que nos marcam eternamente…
…a batida de fora da área, pelo lado direito do campo, foi de uma filarmônica maestria…seu pé direito soou como um afinado instrumento…o som da bola no ângulo superior esquerdo do goleiro nos deu essa certeza…2 a 2…
…mas faltava o desfecho homérico…ah, grande poeta grego Homero…daria para revivermos as epopeias “A Ilíada” e “Odisseia”…que gol, que versos…O habilidoso Pedro Lima bateu o escanteio e, em meio ao rebote da zaga, Davi surgiu no “papiro” da área com uma raça heroica, divina…o chute forte, no centro da meta, foi o ponto final de uma poesia capaz de emocionar até os gramáticos dos gramados…3 A 2…
…é incrível como nós, pais, reaprendemos a ver e a experienciar as fascinantes narrativas do mundo com as nossas crianças…agradecemos ao esporte e aos nossos já vencedores, independentemente dos números que nos aguardam…

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